ARTIGO

Velhice é diferente de doenças

sexta-feira, 30/06/17 11:52

A maioria das pessoas que convive ou já conviveu com idosos deve ter ouvido em algum momento da vida as seguintes frases: “isso é coisa da idade”, “velho é assim mesmo”, “faz parte da velhice”. E assim seguem pensando que aquele sofrimento ou aquela doença são naturais e fazem parte do envelhecimento. Mas será que toda doença faz parte do envelhecimento e deve ser considerada normal quando se é idoso?

Primeiramente devemos pensar na fase adulta. Nessa fase temos que possuir todas as funções fisiológicas saudáveis para conseguirmos nos reproduzir, criar nossos filhos e manter nossa espécie. Dessa forma, toda função perdida no processo de envelhecimento normal é considerada supérflua, desnecessária para perpetuação da nossa espécie e manutenção de uma vida funcionalmente feliz. Nosso corpo busca constantemente o equilíbrio. O declínio funcional considerado normal no envelhecimento não nos impede de viver socialmente. Quando envelhecemos, o que se considera normal é uma lentificação global no desempenho das tarefas cotidianas que não são essenciais para essa fase da vida, já que a perpetuação da nossa espécie é mantida pelo indivíduo adulto.

Vamos pensar na perda auditiva e na perda da visão no processo de envelhecimento. Uma pessoa com mais de 60 anos de idade que perde essas funções não deve se conformar e dizer que isso faz parte do envelhecimento. Nem sempre o que se perde a partir de certa idade, devemos considerar normal. Aquilo que atrapalha vivermos socialmente e nos impede de sermos feliz merece uma maior investigação com profissionais especializados e tratamento adequado.

No envelhecimento normal ocorrem algumas alterações estruturais e funcionais no sistema nervoso, cardiovascular, respiratório, locomotor, entre outros, que normalmente não restringem o indivíduo de participar de atividades sociais apesar de serem consideradas uma deficiência.

Será que qualquer adoecimento faz parte do envelhecimento? Existem doenças que comprometem o ser humano em qualquer idade. Mas quando devemos realmente preocupar em procurar tratamentos e ajudas profissionais? A resposta é simples: pense se aquele acometimento está prejudicando sua vida no sentido de atrapalhar sua autonomia e independência. Caso esteja, não aceite o simples pensamento: “isto é coisa da idade”… Pense e busque ajuda. Não devemos nos conformar.

Portanto, o que compromete a autonomia e independência no ser humano, merece ser investigado dentro de uma perspectiva multidimensional para assim descortinar problemas que antes eram considerados inerentes ao processo de envelhecer por si só. Perder a vida social, por questões de saúde não faz parte do envelhecimento normal (senescência), mas sim do envelhecimento patológico (senilidade).

 

Débora Guizoli

Psicóloga (CRP 04/31433)

Instrutora de Oficina de Memória

Especialista em Gerontologia pela PUC/MG

debora@memoriaativa.com.br

www.memoriaativa.com.br

Débora Guizoli

É psicóloga, com pós-graduação em Gerontologia pela PUC Minas. Atua como Instrutora de Oficina de Memória no SINJUS-MG. Possui experiência com trabalhos em grupo focados em Estimulação Cognitiva e Desenvolvimento Humano.

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