UM GOLINHO PARA O SANTO

quarta-feira, 21/12/16 15:00

Autor: Elza Gonçalves Luciano Silva.

Gincana NAP – Grupo 01, Garimpeiros de Sonhos.

 

            "Verter pingos de bebidas no chão é uma forma de homenagear os falecidos". Um hábito antigo, sem explicação lógica, quase uma ação reflexa.

            O meu pai sempre teve esse costume. Tomava um golinho de pinga – cachaça, malvada, branquinha – todos os dias antes das refeições. Dizia que era bom para ralear o sangue e abrir o apetite. Quem era eu para discordar…

            Mas resolvi perguntar o porquê de ele, antes de começar a beber, sempre jogar um pouquinho da pinga no chão. E ele me respondeu:

 – É para o meu "santo", filha

– Qual o "santo", pai?, tornei a perguntar.

– Para o meu protetor, meu Anjo da Guarda.

            O tempo foi passando e eu cresci assistindo a essa cena diária. Tornei-me adulta e, quando vi, já estava repetindo tanto o costume de beber uma pinguinha, quanto o de jogar um golinho para o "santo". Assim, sem pensar, apenas fazendo. Virou um hábito.

            Certo dia, estava no meu Paraíso, meu sítio, com minhas duas netinhas e estava acontecendo um churrasco. Antes do primeiro pedaço de carne, lá fui eu tomar um copinho de pinga para ralear o sangue e, claro, abrir o apetite.

             Assim como eu fiz quando era criança, minhas duas netinhas se espantaram com aquela cena e me perguntaram:

– Vó, você está jogando a pinga fora?

            Disse a elas que não, que era só um golinho para o "santo".

– Não, meus amores, vovó está só dando um pouquinho para o Anjo da Guarda dela.

– Por quê, vó? Me perguntaram elas.

– Para agradá-lo e ele gostar ainda mais de mim, disse para as duas pequenas.

            Mas criança, sabe como é, não se contenta com a primeira resposta. E insistiram:

– Uai, vó, anjo gosta de pinga? 

            Quando Elza leu, no texto A vida é um beijo doce em boca amarga, a lista de provérbios e crenças, buscando inspiração para escrever um pequeno texto que estivesse relacionado com a "Roda de Leitura", de repente, parou em uma das crenças e disse:

– Oh! Meu pai fazia assim!

            E contou-me sua historinha. Logo eu lhe disse:

– Elza, escreva isso que você me contou. Tem a ver com Mia Couto. Mostra bem que nós temos crenças semelhantes àquelas crenças africanas, descritas pelo autor em seu livro: O último voo do flamingo.

            E Elza escreveu.

 

Últimas notícias

ver mais
Alexandre Pires denuncia mazelas do Ipsemg sábado, 24/06/17 11:41 Servidor público lotado na Diretoria de Informática do TJMG,  Alexandre Pires é bacharel em ...
LUTA DATA-BASE 2016 É SANCIONADA E VIRA A LEI 22.518/17 sábado, 24/06/17 11:25 O projeto de lei que define o índice aplicável à revisão geral anual dos ...
SAÚDE PÚBLICA CBI DENUNCIA CAOS NO IPSEMG DE UBERLÂNDIA sexta-feira, 23/06/17 18:36 Nessa quarta-feira, dia 21/6, o diretor de Assuntos Jurídicos do SINJUS-MG e presidente do ...

Convênios

ver mais
NÃO+PELO Beleza e estética Calafate . BH (31) 3327 1717 www.naomaispelo.com.br 10% a 20% ver mais
Dra. Marina Fidelis Odontologia Lourdes . BH (31) 3226 6659 20% a 30% ver mais
Jacqueline Ferreira Fonoaudiologia Centro . BH (31) 99776 2823 35% ver mais
Pierre Beleza e estética Santa Efigênia . BH (31) 3241 7701 www.pierrebh.com.br 10% ver mais
Estácio Graduação / Pós-graduação Belo Horizonte (31) 3377 3276 www.estacio.br 20% a 35% ver mais
Top