ARTIGO

Qualidade de vida das pessoas com perda de memória

quarta-feira, 21/02/18 08:32

Precisamos manter nosso cérebro sempre ativo para que nossa memória não falhe ao ponto de prejudicar nossa vida. Para isso é necessário estimular nosso cérebro todos os dias, como por exemplo, se alimentar com a mão esquerda se for destro, ou direita se for canhoto. Utilizar caminhos diferentes para voltar para casa, praticar esporte e se possível aprender movimentos novos como um ritmo de dança que nunca praticou. Ler sobre assuntos interessantes para que o hábito de leitura esteja sempre presente; participar de treinamentos cognitivos com foco na memória também promovem aumento do potencial cognitivo principalmente se forem em grupo, porque assim contribuem para a socialização que é importantíssima para uma vida saudável.

Devemos entender que todos nós em algum momento da vida vamos esquecer alguma coisa, como nome de pessoas ou até mesmo fatos que aconteceram. Esquecer também e um processo natural desde que não atrapalhe nossa vida. Hoje percebemos que existe uma cobrança exagerada da sociedade para nunca esquecermos de nada. Já pensou que horror seria nossa vida se realmente lembrássemos exatamente tudo que se passou. Esquecer é necessário, principalmente quando são memórias vinculadas a traumas que geram sofrimento.

Os esquecimentos são considerados anormais quando ocorrem com muita frequência e começam a prejudicar nossa rotina. Quando o esquecimento faz a pessoa perder uma habilidade que possuía é sinal que a pessoa deve procurar ajuda profissional urgente. Possivelmente a pessoa passará por uma avaliação médica juntamente com uma avaliação neuropsicológica. A família deve ser orientada pelo profissional para saber lidar com o parente que possui prejuízo de memória.

Mas como a família pode ajudar uma pessoa que foi diagnosticada com problema de memória? Muitas dúvidas surgem e sofrimentos também. O ideal é encarar o problema de frente. Darei algumas dicas para ajudar a melhorar o cotidiano desta pessoa e sua família. Seguem abaixo:

• Conversar com a pessoa que está com problema de memória certificando-se que ela está olhando para você;

• Quando a pessoa com memória prejudicada desviar a atenção, fale frases com o nome dela, caso ela não preste atenção em você utilize um gesto de carinho, como por exemplo, pegue na mão dela, ou coloque a mão sobre os seus ombros;

• Utilize frases curtas e diretas, reduza a quantidade de informações numa conversa;

• Peça que ela repita o que acabou de dizer com as palavras dela e sempre elogie quando completar a fala.

• Desligue a televisão para conversar assuntos importantes;

• Evite sentar perto de paredes com muitos cartazes e informações quando necessitar que a pessoa tenha mais concentração no que você quer dizer.

• Evite ler num ambiente bagunçado e escolha notícias agradáveis da semana para trabalhar orientação temporal (dia/ mês/ ano) como também fatos atuais relacionados ao mundo;

• Oriente que a pessoa realize apenas uma atividade por vez;

• Organize o ambiente com pastas e gavetas etiquetadas indicando o conteúdo;

• Oriente o uso de pulseira ou correntinha pela pessoa que está com problemas mais sérios de memória com o nome e telefone de um filho ou parente, gravados para serem usadas constantemente. Caso a pessoa saia de casa e se perca, o telefone com o nome gravados poderão ajudar a reencontrar a família.

Enfim, estas e outras dicas poderão auxiliar as famílias a lidar melhor com quem tem problemas de memória e trará mais conforto para ambas as partes envolvidas. Infelizmente, a ciência ainda não pode trazer a memória de volta para todos aqueles que a perderam por problemas de saúde. Mas pesquisas estão avançando cada vez mais e é bem provável que esta realidade mude para alguns casos. O uso destes recursos externos citados acima pode amenizar sofrimentos e melhorar a relação entre o paciente e família.

Débora Guizoli
Psicóloga (CRP 04/31433)
(Instrutora de Oficina de Memória)
Especialista em Gerontologia pela PUC/MG
debora@memoriaativa.com.br
www.memoriaativa.com.br

Débora Guizoli

É psicóloga, com pós-graduação em Gerontologia pela PUC Minas. Atua como Instrutora de Oficina de Memória no SINJUS-MG. Possui experiência com trabalhos em grupo focados em Estimulação Cognitiva e Desenvolvimento Humano.

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