ARTIGO

Os desafios do movimento sindical na atualidade

quinta-feira, 28/09/17 19:29

Os sindicatos se desenvolveram, ao longo de muitos e muitos anos, como um instrumento de representação e defesa dos interesses da classe trabalhadora. Historicamente, as mudanças na economia e nas formas de produzir acabam também gerando mudanças na organização do trabalho e dos processos produtivos.

A segunda metade do século passado foi marcada por mudanças profundas nas formas de organização da produção capitalista. Foram introduzidos novos métodos de produção e tecnologias que modificaram o padrão de produção existente, em meio a uma grave crise econômica internacional. Essas mudanças afetaram bastante o trabalho no serviço público, com as reformas do estado e na gestão dos serviços públicos.

Essas mudanças na economia foram acompanhadas de modificações também muito importantes no cenário político internacional. Além da ofensiva econômica sofremos uma ofensiva ideológica. Foi o período que ficou conhecido como neoliberalismo. O neoliberalismo fez uma grande propaganda ideológica do individualismo, buscando jogar os trabalhadores uns contra os outros e desacreditar os sindicatos como instrumentos de organização.

As mudanças no mundo do trabalho trouxeram um aumento da produtividade e das exigências aos trabalhadores e, com elas, o aumento das doenças profissionais. A luta pelo controle do tempo, diante de tantas mudanças, se fez mais difícil. Por essa razão, os sindicatos tem se empenhado, no mundo inteiro, na luta pela redução da jornada regular de trabalho.

Os sindicatos não estavam preparados para todas essas mudanças, que ocorreram muito rapidamente. Apesar disso, os trabalhadores não deixaram de se mobilizar. Mas, parte importante dos dirigentes sindicais se rendeu à lógica do capital e passaram a advogar as ideias dos empresários e dos governos neoliberais.

Hoje, vemos uma retomada de movimentos organizados da classe trabalhadora e da juventude, através dos sindicatos e outras formas associativas. As razões das lutas são muito parecidas em todo o mundo: resistência às reformas do estado, às privatizações, às mudanças na previdência e na legislação trabalhista, dentre outras.

No Brasil, vivemos um momento de transição, depois de um ciclo de governos abertamente neoliberais, encabeçados pelo PSDB e outro dirigido pelo Partido dos Trabalhadores em aliança com setores conservadores, que reproduziu parte dessas políticas e cooptou parcelas importantes dos sindicalistas para cargos de gestão.

O grande desafio colocado para nós, trabalhadores, é essa retomada das lutas e a unificação das nossas mobilizações, buscando a construção de sindicatos democráticos e representativos, dentro de uma perspectiva de transformação social.

Para além de organizar a luta por melhores condições de trabalho, defesa dos direitos e qualidade de vida, os sindicatos precisam estar sintonizados com as mudanças na sociedade e as novas formas de comunicação. Os sindicatos podem e devem ser espaço de debates políticos, atividades culturais, esportivas, de formação, locais de encontro e lazer para todos: homens e mulheres, da ativa e aposentados, servidores mais antigos e mais jovens.

Nesse sentido, as iniciativas do Sinjus com a “Escola Sindical” devem ser destacadas, como parte da construção desse sindicalismo combativo, mas também voltado a outras dimensões da vida social e profissional dos trabalhadores do Judiciário.

Cacau Pereira

É advogado, com graduação e pós-graduação em Direito Público pela PUC Minas e especialização em previdência complementar. Coordena o Instituto Classe de Consultoria e Formação Sindical e atua no movimento sindical desde 1996.

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