ARTIGO

Luto ao envelhecer

sexta-feira, 19/01/18 11:33

Falar sobre o luto não é uma tarefa fácil, principalmente porque quando pensamos em perdas de um modo geral direcionamos nossos pensamentos para nossas próprias perdas.  O luto é um acontecimento individual e social. Na perspectiva individual vem acompanhado de tristeza abrangendo aspectos físicos e psicológicos. E no social cada cultura possui um ritual para expressar o luto.

Existem várias teorias sobre as fases do luto. Segundo tratado de Geriatria e Gerontologia (2013) a pessoa enlutada deve vencer algumas tarefas para elaborar o luto e se reorientar no mundo sem o (a) parceiro (a). São elas:

  • 1º: aceitar a realidade da perda
  • 2º: elaborar a dor da perda
  • 3º: readaptar-se a um ambiente em que está faltando a pessoa falecida.
  • 4º: reposicionar, em termos emocionais, a pessoa que faleceu e continuar a vida.

Para elaborar a dor da perda é normal e saudável chorar muito com amigos e parentes no início do processo de luto. Já o enfrentamento ruminativo, ou seja, de muita queixa e choro por tempo prolongado relacionado ao luto chama atenção das pessoas para aspectos negativos e aumentam o sentimento de tristeza. Pensar negativamente dificulta a resolução de problemas porque as pessoas passam a ter uma visão negativa da vida em geral. O que pode ocorrer dentro deste contexto é uma rejeição dos amigos e familiares já que este comportamento de queixa não é bem-vindo socialmente.

O que é necessário acontecer é a busca do equilíbrio entre o choro excessivo no início da perda e uma adaptação com a construção de uma biografia da pessoa falecida. Muitas pessoas como amigos e parentes sentem receio em tocar no nome da pessoa falecida. Isto não é um problema desde que não seja em exagero. Quando a pessoa enlutada consegue elaborar uma biografia estável da pessoa falecida, ela alcança assim a integração na memória sobre esta pessoa em sua vida atual. Passa a falar de forma saudável lembrando da pessoa que faleceu sem sentir dor e sim saudades. Os parentes e amigos não devem deixar de falar o nome da pessoa falecida porque esta pessoa existiu e faz parte da vida de quem passa pelo luto. Agora ficaram apenas recordações.

Amigos e parentes próximos possuem um papel fundamental para ajudar uma pessoa enlutada. Ajuda profissional também é importante em casos de desequilíbrios psicológicos e físicos. Cada indivíduo viverá o luto de uma maneira. Não é uma regra ter que mudar de casa por causa do falecimento de alguém querido. O ideal quando possível, é continuar a viver na casa em que está habituado e se sente confortável principalmente por causa do apoio dos vizinhos e amigos próximos. Tirar o enlutado da própria residência e da rotina social da qual é acostumado, pode gerar mais um luto para ele e o fará sofrer ainda mais. Geralmente entre um a dois anos o luto será elaborado e a vida continuará normalmente, só que agora com um novo status e uma nova configuração.

Portanto, se você possui alguém próximo a você que passa pelo processo de luto, faça o que puder por esta pessoa. Leve-a para caminhar, acompanhe nas compras se precisar, vá junto em atividades sociais, convide-a para almoçar, ouça, mas faça com ela.  Dizer que você ‘está à disposição’ é bom, mas não o suficiente pois, quem passa por um luto geralmente não possui forças para pedir ajuda e se isola. Por isso amigos e parentes são importantíssimos no processo de superação. A espiritualidade também possui um papel fundamental neste momento difícil, pois a fé conforta aquele que sofre e o tempo com certeza devolverá o equilíbrio e a paz à família.

 Débora Guizoli

Psicóloga (CRP 04/31433)

(Instrutora de Oficina de Memória)

Especialista em Gerontologia pela PUC/MG

debora@memoriaativa.com.br

www.memoriaativa.com.br

Débora Guizoli

É psicóloga, com pós-graduação em Gerontologia pela PUC Minas. Atua como Instrutora de Oficina de Memória no SINJUS-MG. Possui experiência com trabalhos em grupo focados em Estimulação Cognitiva e Desenvolvimento Humano.

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