ARTIGO

GÊNERO E RAÇA INFLUENCIAM NO TEMPO DE DESEMPREGO? – I

terça-feira, 12/12/17 17:48

Em artigo anterior abordamos a questão da redução da taxa de desemprego no Brasil, dando enfoque ao tipo de emprego que tem sido gerado no país. Naquele texto, verificamos que a maior parte das vagas criadas se efetivou sem o estabelecimento de um vínculo formal, especialmente sem carteira assinada. Neste texto – e no próximo – continuaremos a tecer considerações críticas sobre o mercado de trabalho no Brasil, desta vez analisando a situação dos desempregados[1]. Especificamente, iremos avaliar se o gênero e/ou a raça do indivíduo podem ter alguma relação com o tempo de desemprego. Como o assunto é extenso, neste texto trataremos do gênero do desempregado; no próximo, abordaremos a questão da raça.

Considerando primeiramente as pessoas com nível fundamental completo de escolaridade, dentre as mulheres que se declararam desocupadas na semana de referência e que procuravam trabalho, 8,9% estavam desocupadas há menos de um mês; 45,9% estavam desocupadas de um mês a menos de um ano e 45,1% estavam desocupadas há mais de um ano. No caso dos homens com as mesmas características – nível fundamental completo de escolaridade, desocupados na semana de referência e que procuravam trabalho – 15,2% estavam desocupados há menos de um mês; 51,3% estavam desocupados de um mês a menos de um ano e 33,5% estavam desocupados há mais de um ano. Nota-se, portanto, que dentre as mulheres com nível fundamental de escolaridade que estavam desocupadas e procurando trabalho o percentual de desocupadas há mais de um ano é cerca de doze pontos percentuais superior ao percentual de homens desocupados com as mesmas características.

No caso das pessoas com curso médio completo a situação não é diferente. Dentre as mulheres que se declararam desocupadas na semana de referência e que procuravam trabalho, 7,6% estavam desocupadas há menos de um mês; 44,9% estavam desocupadas de um mês a menos de um ano e 47,5% estavam desocupadas há mais de um ano. No caso dos homens com as mesmas características – nível médio completo de escolaridade, desocupados na semana de referência e que procuravam trabalho – 10,4% estavam desocupados há menos de um mês; 50% estavam desocupados de um mês a menos de um ano e 39,7% estavam desocupados há mais de um ano. Dessa forma, dentre as mulheres com nível médio de escolaridade que estavam desocupadas e procurando trabalho o percentual de desocupadas há mais de um ano é superior ao de homens desocupados com as mesmas características, desta vez em cerca de oito pontos percentuais.

Levando em consideração o pessoal com nível superior completo (graduação), temos que dentre as mulheres que se declararam desocupadas na semana de referência e que procuravam trabalho, 5,8% estavam desocupadas há menos de um mês; 46,6% estavam desocupadas de um mês a menos de um ano e 47,6% estavam desocupadas há mais de um ano. No caso dos homens com as mesmas características – nível médio completo de escolaridade, desocupados na semana de referência e que procuravam trabalho – 8,6% estavam desocupados há menos de um mês; 51% estavam desocupados de um mês a menos de um ano e 40,4% estavam desocupados há mais de um ano. Novamente um percentual maior de mulheres está desocupado e procurando emprego há mais tempo que homens com o mesmo nível de escolaridade: neste a diferença é de sete pontos percentuais entre mulheres com graduação e homens com graduação que estão há mais de um ano desempregados e procurando emprego.

Se fizermos esse exercício para outros níveis de escolaridade (mestrado, doutorado, especialização, etc), veremos que a situação retratada acima sempre se repete: dado um determinado nível de escolaridade um maior percentual de mulheres estão há mais tempo desempregadas e procurando emprego do que os homens.

Concluindo, é evidente que diversas outras variáveis (por exemplo, idade, experiência profissional, local onde estudou, etc) podem afetar o tempo que uma pessoa está desempregada e não consegue obter nova colocação no mercado de trabalho. Mas, de qualquer forma, os dados apontados acima trazem, no mínimo, um indício de que há maior dificuldade para as mulheres se recolocarem no mercado de trabalho quando comparadas com os homens, o que mostra mais um grave problema no mercado de trabalho brasileiro que precisa ser enfrentado por toda a sociedade.

[1] Os dados aqui apresentados foram extraídos dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNADC – do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, do terceiro trimestre de 2017.

Thiago Rodarte

É economista com graduação e mestrado pela UFMG, onde foi professor substituto. Ex-diretor da Secretaria de Desenvolvimento de Minas Gerais. Atua no DIEESE, assessorando, atualmente, os sindicatos dos servidores da Justiça Estadual de Minas Gerais.

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