ARTIGO

GÊNERO E RAÇA INFLUENCIAM NO TEMPO DE DESEMPREGO? – II

quarta-feira, 20/12/17 17:08

No artigo anterior avaliamos se o sexo do indivíduo tem alguma relação com o tempo de desemprego. No presente texto vamos verificar se a raça do trabalhador está associada a um menor ou maior tempo de desemprego.

De acordo com os dados levantados pela PNADC[1], dentre as pessoas que declararam sua cor ou raça, 47,11% se declararam pardas; 43,84% se declararam brancas; e 8,19% se declararam negras. Esses três grupos representam, portanto, mais de 99% dos entrevistados que declararam sua cor ou raça. Vamos nos concentrar nesses três grupos para nossa análise.

Primeiramente vamos levar em consideração apenas as mulheres com ensino fundamental completo, que se declararam desocupadas na semana de referência e que procuravam trabalho. Nesse grupo, 41,03% das mulheres que se declararam negras estavam procurando trabalho há mais de um ano; 47,49% das mulheres que se declararam pardas estavam procurando trabalho há mais de um ano e 42,77% das mulheres que se declararam brancas estavam procurando trabalho há mais de um ano. Nesse caso, nota-se que uma maior proporção de mulheres pardas estava a mais tempo procurando por trabalho, sendo que há uma diferença muito pequena na proporção de mulheres negras e brancas procurando por trabalho há mais de um ano.

Considerando agora os homens com ensino fundamental completo, que se declararam desocupados na semana de referência e que procuravam trabalho, temos que 23,29% dos homens que se declararam negros estavam procurando trabalho há mais de um ano; 32,14% dos homens que se declararam pardos estavam procurando trabalho há mais de um ano e 39,39% dos homens que se declararam brancos estavam procurando trabalho há mais de um ano. Nesse caso nota-se uma maior proporção de homens brancos que se encontravam a mais tempo procurando por trabalho.

Dentre as mulheres com ensino médio completo, que se declararam desocupadas na semana de referência e que procuravam trabalho, 45,02% das mulheres que se declararam negras estavam procurando trabalho há mais de um ano; 47,91% das mulheres que se declararam pardas estavam procurando trabalho há mais de um ano e 48,08% das mulheres que se declararam brancas estavam procurando trabalho há mais de um ano. Nesse caso nota-se que uma maior proporção de mulheres brancas é que se encontravam a mais tempo procurando por trabalho, mas com uma diferença muito pequena em relação às mulheres pardas e negras.

No caso dos homens com ensino médio completo, que se declararam desocupados na semana de referência e que procuravam trabalho, temos que 40,81% dos homens que se declararam negros estavam procurando trabalho há mais de um ano; 37,67% dos homens que se declararam pardos estavam procurando trabalho há mais de um ano e 41,61% dos homens que se declararam brancos estavam procurando trabalho há mais de um ano. Nota-se que uma maior proporção de homens brancos é que se encontravam a mais tempo procurando por trabalho, mas novamente com uma diferença muito pequena em relação à proporção de homens negros na mesma situação.

Levando em conta as mulheres com ensino superior completo, que se declararam desocupadas na semana de referência e que procuravam trabalho, 58,48% das mulheres que se declararam negras estavam procurando trabalho há mais de um ano; 46,89% das mulheres que se declararam pardas estavam procurando trabalho há mais de um ano e 46,65% das mulheres que se declararam brancas estavam procurando trabalho há mais de um ano. Nesse caso nota-se que uma proporção muito maior de mulheres negras que se encontravam a mais tempo procurando por trabalho.

Entre os homens com ensino superior completo, que se declararam desocupados na semana de referência e que procuravam trabalho, temos que 29,35% dos homens que se declararam negros estavam procurando trabalho há mais de um ano; 43,84% dos homens que se declararam pardos estavam procurando trabalho há mais de um ano e 40,02% dos homens que se declararam brancos estavam procurando trabalho há mais de um ano. Nesse caso nota-se que uma maior proporção de homens pardos se encontrava a mais tempo procurando por trabalho.

Os resultados acima mostram não haver uma correlação muito clara entre a raça declarada pelo entrevistado e o tempo de desemprego e procura por emprego, pois em cada situação há prevalência de um sobre o outro, chamando atenção apenas o caso das mulheres negras com formação superior. No entanto, é preciso fazer algumas observações. A primeira delas é que a cor ou raça apurada ela pesquisa decorrem da declaração do entrevistado, o que pode ter algum viés. A segunda é que no caso das pessoas com ensino superior completo há uma discrepância muito grande de acordo com a raça: há cerca de 11,5 vezes mais pessoas brancas com ensino superior completo do que pessoas negras, e dentre as pessoas negras, apenas 6,14% declararam possuir ensino superior completo, proporção que é de 13,2% entre as pessoas brancas. A terceira é que dentre as pessoas que se declararam negras a proporção de desalentados – aqueles que desistiram de procurar por trabalho – era de 2,17%, sendo que entre as pessoas que se declararam brancas, esse percentual era de 1,24%. Dessa forma, pode-se inferir que há mecanismos – na sociedade em geral e no mercado de trabalho especificamente – que levam uma maior proporção de pessoas negras a desistirem de procurar por emprego o que diminui a quantidade daqueles que ainda procuram por trabalho.

[1] Os dados aqui apresentados foram extraídos dos microdados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNADC – do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE, do terceiro trimestre de 2017.

Thiago Rodarte

É economista com graduação e mestrado pela UFMG, onde foi professor substituto. Ex-diretor da Secretaria de Desenvolvimento de Minas Gerais. Atua no DIEESE, assessorando, atualmente, os sindicatos dos servidores da Justiça Estadual de Minas Gerais.

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