ARTIGO

A RELAÇÃO ENTRE A INFLAÇÃO E A DATA-BASE

sexta-feira, 15/09/17 17:15

Os economistas costumam chamar de inflação “um aumento persistente e generalizado de preços”, evitando que fenômenos de alta não duráveis e setorializados se confundam com ela.

Há inflação de várias naturezas. As três mais comuns são: a de demanda, quando a economia está aquecida e a procura por bens e serviços excede a oferta, forçando a concorrência e a alta dos preços; a de custos (que afeta a oferta), cuja alta obriga os produtores a rever suas margens; a inercial, como a que vivemos nos planos econômicos, ou seja, os preços subiam espontaneamente, sem razão aparente, isto é, sobem hoje porque subiram ontem e também subirão amanhã.

Saber de qual inflação se trata é de muita importância, para que se apliquem as políticas certas de combate.

O fato é que, qualquer que seja a sua natureza, a inflação traz consigo uma série de efeitos e de desequilíbrios: nas expectativas dos investidores e dos empresários, na qualidade da política fiscal do governo, no trato com a moeda, tendo em vista a relação de preços entre países, etc.

Mas, seu mais perverso efeito se dá sobre a renda dos trabalhadores, ao criar uma espiral invertida na economia: mais inflação, menos poder de compra, menos consumo, menos produção, menos emprego, menos renda, etc.

No Governo, a mesma coisa: menos arrecadação, menos investimento, menos consumo, menos produção, etc.

Para os pobres, ou menos favorecidos em renda, o impacto é mais grave. Seus mecanismos de proteção não atuam, como no caso dos mais favorecidos, além da afetação do desemprego, um componente grave da cadeia.

O caso brasileiro de hoje é típico: a inflação em queda acelerada, embalada por um grave fenômeno recessivo, com desemprego e queda de renda.

União, Estados e Municípios, em grave crise fiscal, devido à queda da arrecadação, de um lado, e à impossibilidade de ir muito longe no corte de gastos, dado o limite de produção de bens e serviços essenciais à população.

Nesse ambiente, as negociações de revisão salarial com os seus servidores, embora devidamente previstas em lei, levam o peso do desequilíbrio fiscal.

No setor público, as políticas de ajuste tendem a focar as folhas de pessoal, impactando os servidores com o acúmulo de perdas salariais acumuladas pela inflação passada, mesmo que em movimento de queda no presente.

É preciso ter em mente que a prestação de serviços públicos essenciais é intensiva em mão de obra, como nos casos da educação, saúde, segurança, justiça, etc.

Respeitar os direitos dos servidores, nessa conjugação de fatores de produção, é mais do que justo, além de devidamente legal.

José Moreira Magalhães

É economista, com especialização em Planejamento Governamental; consultor em orçamento e finanças; e fiscal de tributos estaduais. Foi diretor de arrecadação, diretor do Tesouro Estadual e Diretor Financeiro do TJMG. Autor do livro "Desvendando as Finanças Públicas".

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