BALANÇO

ARTIGO: EXECUÇÃO SUPERAVITÁRIA NO ESTADO E NO TJMG

quinta-feira, 04/05/17 16:33

Ao contrário do era de se esperar, embora a economia já esteja dando sinais de recuperação mesmo que lenta e dispersa por setores, a execução orçamentária do Estado no primeiro trimestre de 2017, a julgar pelos dados publicados no Sistema Integrado de Administração Financeira (SIAFI), vem apresentando superávit fiscal (receitas totais menos despesas totais) em todos os meses do trimestre.

No acumulado até março, a estratégia usada parece ter sido garantir a cobertura da folha de pessoal com as receitas de arrecadação do ICMS, enquanto as transferências federais e as demais receitas cobrem o custeio. Pode-se, no entanto, observar nos dados abaixo que a contenção dos gastos, além do represamento de reajustes de salário, deu-se pela quase total ausência de investimentos no período (R$ 139 milhões). Com isso, o superávit bateu em R$ 2,8 bilhões, acima dos 10% da receita total.

Os dados, em milhões de reais:

Jan.           Fev.           Mar.            Total

1.Receitas correntes

.ICMS                                                        3.671        3.324         3.409         10.404

.Outras                                                     4.501        3.454         3.015         10.970

.Total                                                        8.172        6.778         6.424         21.374

2.Receitas de capital                                      66              44              29               139

3.Deduções Fundeb                               (     859)     (880    )      (    483)       (2.222)

4.Total das receitas                                  7.379        5.942          5.970         19.291

5.Despesas Correntes

.Pessoal                                                   3.409       3.250          3.366         10.025

.Outras                                                    2.104       1.789          2.239           6.132

6.Total                                                        5.513       5.039          5.605         16.167

7.Despesas de Capital                                   64            81              173              318

8.Total das despesas                               5.459       5.120          5.906         16.485

 ______     ______       ______     _______

SUPERÁVIT (DÉFICIT)                               1.920          822                64            2.806

 

Quanto à execução orçamentária do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) no mesmo período, chama também a atenção a significativa folga apresentada no mesmo período, se comparados os créditos autorizados para utilização em pessoal com as folhas efetivamente pagas mês a mês até março.

Foram R$ 99,8 milhões de sobra na execução, ou seja: R$ 1.029,6 milhões em créditos autorizados para gastar, contra R$ 929,8 milhões em pagamentos efetivamente realizados, ou seja: uma folga de quase 10% da folha de pessoal acumulada.

As folgas apresentadas foram respectivamente de R$ 20,6 milhões; R$ 39,2 e R$ 40,0 nas folhas dos magistrados, servidores e inativos e pensionistas.

Quais as razões? Não há nada explícito até aqui.

O que se sabe e ajuda a aguçar a estranheza do fato é que tanto servidores como inativos e pensionistas amargam, já há tempos, perdas salariais frente à inflação superiores a 15% e que, da parte do Tesouro, os critérios de repasse de créditos para pessoal regem-se pelas folhas pagas, diferentemente dos repasses para custeio e investimentos, os quais se dão pelos duodécimos autorizados no orçamento, o que não se aplica ao TJMG, que usa o FEPJ para essas despesas. Ao que se sabe, não há compromissos com eventuais folgas na execução de pessoal por parte do Tesouro. Pelo menos, é a minha experiência, quando por lá passei.

Vejamos os números, conforme o Portal:

 Jan.        Fev.         Mar.          Total

1.Magistrados

.Créditos autorizados                         47,6        47,6        47,6            142,8

.Folhas pagas                                       39,4        41,4        41,4            122,2

.Folga                                                      8,2          6,2           6,2              20,6

2.Servidores

.Créditos autorizados                       192,7     192,7      192,7            578,1

.Folhas pagas                                     175,8     179,6      183,5            538,9

.Folga                                                    16,9       13,1           9,2              39,2

3.Inativos e pensionistas

.Créditos autorizados                       102,9      102,9     102,9            308,7

.Folhas pagas                                       81,8        91,8        95,1            268,7

.Folga                                                    21,1        11,1          7,8              40,0

4.FOLGA TOTAL                                     46,2        30,4        23,2              99,8

José Moreira Magalhães

É economista, com especialização em Planejamento Governamental; consultor em orçamento e finanças; e fiscal de tributos estaduais. Foi diretor de arrecadação, diretor do Tesouro Estadual e Diretor Financeiro do TJMG. Autor do livro "Desvendando as Finanças Públicas".

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